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Seguradoras Investem em Projectos Petrolíferos Fora do Médio Oriente
Seguradoras Investem em Projectos Petrolíferos Fora do Médio Oriente

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
O agravamento do conflito no Médio Oriente está a provocar uma mudança significativa no mercado global de seguros para o sector petrolífero. Após meses de instabilidade na região, as principais seguradoras internacionais passaram a direccionar o financiamento e a cobertura de projectos de exploração e produção para bacias consideradas menos expostas a riscos geopolíticos.
Desde o início da crise, o encerramento intermitente do Estreito de Ormuz e a escalada dos riscos de guerra aumentaram os custos dos projectos petrolíferos no Médio Oriente, levando empresas e seguradoras a procurarem alternativas em mercados mais estáveis. Como consequência, os prémios de seguro para projectos localizados fora da região registaram uma redução de cerca de 25% este ano, chegando, em alguns casos, a descontos de até 50%.
Está estratégia reflecte a forte concorrência entre as seguradoras para conquistar uma fatia crescente dos investimentos em exploração e produção fora das zonas de conflito. Para Rupert Mackenzie, corretor especializado da WTW, o segmento upstream continua a ser um dos mais rentáveis para o mercado segurador, justificando o interesse em manter exposição ao sector.
A WTW confirma esta tendência no relatório Energy Market Review 2026, indicando que as tarifas dos seguros para projectos de exploração e produção continuam em queda. A empresa refere que projectos com bom histórico operacional e ausência de sinistros têm beneficiado de reduções entre 15% e 20%, podendo ultrapassar os 40% em situações específicas.
Paralelamente, as grandes petrolíferas internacionais estão a acelerar investimentos em novas fronteiras exploratórias para reduzir a dependência do Oriente Médio. Entre os destinos prioritários destacam-se a Guiana, Suriname, Namíbia, Brasil, Nigéria, Turquia e Chipre, regiões consideradas estratégicas para garantir maior segurança no abastecimento global de petróleo.
A ExxonMobil e a Chevron reforçaram os investimentos na Guiana, enquanto a Exxon avança com o desenvolvimento do projecto Owowo, na Nigéria, avaliado entre $7 e 8 mil milhões, além de um investimento adicional de mil milhões de dólares no Projecto de Preenchimento de Usan, destinado a acrescentar cerca de 40 KBPD à produção. Na Namíbia, a BP adquiriu participações em três blocos offshore, e a TotalEnergies assinou um memorando de entendimento com a empresa estatal turca TPAO para avaliar novas oportunidades de exploração.
O interesse das empresas estende-se igualmente aos recursos de petróleo e gás de xisto fora dos Estados Unidos. Países como Argentina, China, Turquia e Austrália estão a atrair investimentos devido ao potencial de desenvolvimento de recursos em terra, oferecendo maior diversificação geográfica face aos riscos do Oriente Médio.
Estima-se que, a exploração petrolífera gerou cerca de $54 mil milhões em valor líquido entre 2021 e 2025, considerando um preço de longo prazo do Brent de $65/BBL. Com o Brent em torno dos $85/BBL, o valor criado poderá ultrapassar os $120 mil milhões, reforçando o interesse das petrolíferas e das seguradoras por novos projectos em regiões consideradas mais seguras.