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Quais são as Verdadeiras Causas que Levaram os Preços do Gás a Duplicaram nos Últimos 2 Anos
Quais são as Verdadeiras Causas que Levaram os Preços do Gás a Duplicaram nos Últimos 2 Anos

No contexto da transição energética, o gás natural desempenha um papel cada vez mais estratégico na matriz energética global, por sua característica de menor emissão de carbono , comparado com os combustíveis usados na indústria e no transporte, e de complementaridade com fontes renováveis na geração de eletricidade. De acordo com estimativas da Energy Information Administration (EIA),
De acordo com a S&P Global Commodity Insights, “a procura global de energia aumentará um terço nos próximos dez anos, incluindo a procura de centros de dados” e “o gás natural desempenhará um papel importante como fonte de energia de base”.
Algumas fontes indicam que a procura de gás aumentará particularmente nos mercados emergentes da Ásia devido ao crescimento da população, ao desenvolvimento industrial e à mudança para a descarbonização dos combustíveis fósseis até ao final deste século. Embora o aumento dos investimentos em GNL venha a impulsionar a oferta a curto prazo, serão necessários novos projectos para satisfazer a procura a longo prazo.
Deste modo, podemos destacar algumas causas que levaram o preço do gás a duplicar nos últimos dois anos:
- Redução de estoque e aumento substancial do consumo desta matéria-prima;
- Os países europeus e os Estados Unidos enfrentam dificuldade em obter estoque suficiente de gás comparando com os últimos anos;
- Falta de capacidade de armazenamento;
- Mesmo com a fraca produção do gás natural em certos polos do mundo as alternativas são poucas e caras.
Os preços do gás no mercado Spot em todo o mundo duplicaram nos últimos 12 meses, registando níveis de estoque muito abaixo do normal e alertando dificuldades de armazenamento para o ano 2025.

Enquanto os principias consumidores enfrentam dificuldade de armazenar o gás para os próximos meses, vários países alertam preços elevados para os meses seguintes.
Os Estados Unidos juntamente com os seus aliados europeus já estão a reduzir o consumo. Quanto a quantidade consumida notou-se uma diminuição de 400 terawatts- hora (1 446 milhões de pés cúbicos ou 32 milhões de toneladas de GNL) comparando com o último ano. Este é um constrangimento claro que vários países tem enfrentado dificuldade de lidar com os preços altos do gás nos últimos 12 meses.
Quanto mais sobem os preços maior a dificuldade para adquirir qualquer matéria-prima e com o gás não tem sido diferente.

Esta queda de stock não é só para países europeus, mas também para países asiáticos tais como o Japão que estavam em 6 TWh (22 bcf ou 0,5 milhões de toneladas) abaixo dos níveis do ano anterior no final de outubro.
Desde o segundo trimestre de 2024, o consumo tem crescido mais rapidamente do que a produção, em resultado de uma produção recorde de gás e de uma menor perfuração nos Estados Unidos, de um inverno mais frio na América do Norte e no Noroeste da Europa e de sanções contra a Rússia.
Consequentemente, as existências excedentárias de gás resultantes de um inverno ameno na América do Norte e no Noroeste da Europa em 2023/24 foram totalmente utilizadas durante o inverno de 2024/25.
Mas o rápido esvaziamento das existências tornou-se insustentável e os preços subiram abruptamente para controlar o consumo e incentivar mais perfurações para conservar as existências restantes.
Com esse novo cenário, resume-se que 2025 haverá bastante procura desta matéria-prima e fortalecerá as cotações do gás.
É provável que as grandes empresas indústrias europeias e os compradores sensíveis já começaram a procurar por outras alternativas tais como o carvão que é bastante utilizado na Asia e por vários países africanos como é o caso da África do Sul. Este cenário já tina acontecido no primeiro verão após a invasão russa a Ucrânia em 2022.

Essa escassez tem despertado vários investidores que pretendem investir de forma significativa na compra do gás natural para a posterior lucrarem com os rendimentos desta matéria-prima.
A Wall Street acumulou uma posição longa líquida equivalente a 2.975 mil milhões de pés cúbico, a mais elevada em mais de três anos para investir na compra do gás natural.
Esta compra de fundos também contribui para a escassez do gás e forçando vários players a procurarem alternativas tais como os derivados do petróleo e o carvão.
Com as negociações do encerramento do conflicto da Ucrânia e com melhores relações dos governos do Ocidente e Kremlin talvez as cotações do gás poderão reduzir, mas como ainda é uma incerteza é preciso que os países afectados por esses preços tracem mecanismo para solucionar ou mesmo formas de mitigar o impacto desta preciosa matéria-prima.
Por último, os governos europeus têm estado a culpar as bolsas e os especuladores, mas a verdade é que os países afectados têm estado a fazer pouco para a resolução desta temática.
Hélder Macaia: Mestre em Gestão de Petróleo e Gás.