Segunda-feira, Agosto 17, 2026

Importações de Petróleo da China Atingem o Nível mais Baixo dos Últimos 10 anos

Importações de Petróleo da China Atingem o Nível mais Baixo dos Últimos 10 anos

Publicado: Agosto 10, 2026 @ 12:04 pm
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Vladimir Pereira

Vladimir Pereira

Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.

Agosto 10, 2026 @ 12:04 pm

As importações de petróleo da China caíram para o nível mais baixo em uma década em Junho, pressionadas pela redução dos fluxos através do Estreito de Ormuz, que elevou os preços internacionais do crude e reduziu o apetite das refinarias chinesas por matérias-primas mais caras.

De acordo com dados oficiais da Administração Geral das Alfândegas da China, divulgados no mês passado, o país importou apenas 7,12 MBPD em Junho, uma queda de 41,3% face ao mesmo período do ano anterior. O volume representa ainda uma redução de 12% em relação a Maio e corresponde ao nível mais baixo desde Outubro de 2016.

A queda prolongou a tendência registada em Maio, quando as importações chinesas de petróleo bruto atingiram o nível mais baixo em oito anos. No mesmo período, a produção das refinarias também recuou para o menor nível em quatro anos, reflectindo a decisão das refinarias de reduzir as taxas de processamento perante os elevados preços do crude e as restrições às exportações de combustíveis.

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Segundo dados estatísticos do mercado, as taxas de utilização das refinarias chinesas caíram, em Junho, para uma média estimada de 57,72%, menos 3,28 pontos percentuais face ao mês anterior.

Apesar da redução expressiva dos fluxos através do Estreito de Ormuz, os altos níveis de stocks acumulados pela China antes do início do conflito no Médio Oriente contribuíram para limitar o impacto da crise sobre o mercado petrolífero global. A capacidade do país de recorrer às suas reservas e reduzir as importações durante os primeiros quatro meses da guerra ajudou a evitar uma escalada ainda maior dos preços, mesmo perante a interrupção de mais de 10 MBPD no fornecimento de petróleo através do estreito.

A China, maior importadora mundial de petróleo, encontrava-se particularmente preparada para enfrentar uma eventual perturbação prolongada no abastecimento. Estimativas apontam que o país acumulou, no ano anterior ao início da guerra, entre 1,2 e 1,3 BBBLS em reservas comerciais e estratégicas. O volume real poderá, contudo, ser superior, uma vez que os níveis dos stocks estratégicos chineses são mantidos em grande parte sob sigilo.

Há uma semana, as expectativas do mercado apontavam para uma recuperação das importações chinesas, à medida que os fluxos de petróleo provenientes do Médio Oriente começaram a normalizar e os preços regressaram aos níveis anteriores à guerra.

No entanto, a recente intensificação das tensões na região e o renovado bloqueio dos Estados Unidos às exportações de petróleo iranianas voltaram a pressionar os preços e aumentaram o risco de uma crise prolongada de abastecimento. Neste cenário, a recuperação das importações chinesas poderá ser adiada, sobretudo enquanto as refinarias permanecerem pressionadas pelos elevados custos da matéria-prima.

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