Segunda-feira, Agosto 17, 2026

ASAER Promove Workshop sobre Transição Energética e Mobilidade Eléctrica em Angola

ASAER Promove Workshop sobre Transição Energética e Mobilidade Eléctrica em Angola

Publicado: Julho 04, 2025 @ 11:55 am
Partilhar
Manuel Lemos

Manuel Lemos

Oil and Gas Editor. Manuel covers the global energy sector with a focus on industry trends, policy, and investment developments.

Julho 04, 2025 @ 11:55 am

No dia 03 de Julho, Angola deu mais um passo decisivo rumo à transição energética com o workshop “A Transição Energética e a Mobilidade Eléctrica em Angola”, promovido pela Associação Angolana de Energias Renováveis (ASAER). O evento reuniu especialistas, decisores públicos, empresas e instituições para debater estratégias nacionais, enfrentar desafios e partilhar experiências internacionais com potencial de transformar o panorama energético do país.

Durante o workshop, o Engenheiro Helder Preza apresentou um panorama sobre a evolução da mobilidade eléctrica, iniciada no século XIX com carruagens eléctricas nos EUA. Após décadas de domínio dos veículos a combustão, crises energéticas e avanços tecnológicos reacenderam o interesse por soluções eléctricas. Desde 2020, o número global de veículos elétricos saltou de 10 para 16,5 milhões em apenas um ano. A China e A Europa lideram esse avanço, com destaque para a Noruega. Dados indicam que a redução dos custos das baterias e políticas públicas ambientais têm sido os principais motores dessa transformação.

Estratégia Nacional para a Mobilidade Eléctrica em Angola

Ad

O Presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANNT), Dr. Ênio Costa, destacou a visão estratégica para a promoção da mobilidade eléctrica em Angola. A abordagem baseia-se num quadro jurídico robusto, metas claras até 2035, incentivo ao investimento privado e à criação de uma rede eficiente e sustentável de veículos eléctricos. Esta estratégia visa reduzir as emissões de carbono, cortar custos com combustíveis fósseis e estimular a diversificação da economia.

Lições da Experiência Ibérica para Angola

O Engenheiro Paulo Maia apresentou os principais aprendizados da experiência ibérica na implementação da mobilidade eléctrica, com destaque para os casos de Espanha e Portugal. Nesses países, o sucesso foi possível graças a um planeamento urbano integrado, à utilização de energia solar, a sistemas de carregamento inteligente e a uma regulação clara e eficiente. Além disso, prácticas como manutenção preventiva, suporte técnico qualificado e design sustentável contribuíram para garantir a durabilidade e o bom desempenho da infraestrutura. Este modelo apresenta-se como uma referência útil para Angola, especialmente na construção de uma rede de mobilidade eléctrica adaptada às suas especificidades e desafios locais.

Reflexões Estruturais sobre o Contexto Angolano

Durante a mesa redonda, especialistas destacaram pontos essenciais para compreender os desafios do país. Angola enfrenta limitações estruturais relacionadas à alimentação, energia e educação. Além disso, destacou – se que o desenvolvimento sustentável requer crescimento económico, que por sua vez depende de investimento, crédito e geração de emprego. 

Especialistas acrescentaram que a má distribuição de recursos, como a concentração de serviços financeiros em Luanda, evidencia a necessidade de maior equilíbrio territorial. Também foi levantada a questão sobre a viabilidade económica do projecto de mobilidade eléctrica, considerando o actual contexto socioeconómico.

Quadro Legal e Regulação da Mobilidade Eléctrica

Do ponto de vista legislativo, Angola já aprovou medidas fundamentais. O Decreto Presidencial n.º 227/24 instituiu a Estratégia Nacional para a Electromobilidade, com metas como a redução de emissões em 35% até 2030 e a criação de uma rede piloto de carregamento. Já o Decreto Legislativo Presidencial n.º 1/25 estabeleceu o Regime Jurídico da Electromobilidade, regulando incentivos fiscais, tipos de carregamento, licenciamento e interoperabilidade do sistema. No entanto, ainda faltam avanços na implementação da rede, criação da entidade gestora, definição de normas técnicas e operacionalização dos incentivos previstos.

Visão do MINEA para a Infraestrutura Eléctrica

Por sua vez, representantes do Ministério da Energia e Águas (MINEA) destacaram a necessiadde da criação de uma eléctrica moderna, acessível e sustentável que suporte o crescimento da mobilidade eléctrica. O plano inclui a modernização da rede nacional, integração de fontes renováveis, tarifas justas, parcerias público-privadas e fortalecimento regulatório. Essa visão está alinhada com os objectivos da Estratégia Nacional e é essencial para a consolidação de um ecossistema elétrico robusto e inclusivo.

Diante da ausência de um padrão tecnológico global único, os especialistas recomendaram que Angola deve adoptar soluções que melhor se adequem à sua realidade, reiterando que o país tem liberdade para escolher, entre várias opções disponíveis, aquelas que atendam às suas necessidades em termos de custo, durabilidade e facilidade de manutenção, enquanto o mercado internacional caminha para a padronização futura.

Iniciativas da Sonagás e os Desafios na Implementação

A Sonangol, através da subsidiária Sonagás Energias Renováveis, está na linha da frente da implementação da mobilidade eléctrica em Angola. Com projectos-piloto em Luanda, incluindo Ramiros e Kilamba Kiaxi, a empresa está a apostar em energia solar e metas ambiciosas para produção de 450 MW de energia limpa até 2027. Contudo, enfrenta dificuldades como infraestrutura limitada em zonas remotas, custos elevados e barreiras logísticas, que ainda condicionam a rápida expansão da rede de carregamento.

Desafios para o Mercado e para os Vendedores

Durante o encontro, foi também destacado que os vendedores de veículos eléctricos em Angola enfrentam varios obstáculos, tais como a falta de infraestrutura de carregamento, custos de importação elevados, ausência de incentivos fiscais e uma fraca aceitação do público. Além disso, a instabilidade económica e logística torna difícil expandir o mercado de forma sustentável.

Para garantir a adesão da população, recomenda – se necessário investir na educação e sensibilização pública. Campanhas informativas, programas em escolas e meios de comunicação, aliados a test drives gratuitos, são essenciais para que os cidadãos conheçam, experimentem e confiem nos veículos eléctricos. Parcerias com instituições de ensino e o envolvimento de líderes comunitários também são vitais para criar competências locais e acelerar a aceitação da mobilidade eléctrica no país.

Partilhar
Mais Recentes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *