Segunda-feira, Agosto 17, 2026

Análise Semanal: Preços do Petróleo se Movem em Direcção aos $70 

Análise Semanal: Preços do Petróleo se Movem em Direcção aos $70 

Publicado: Agosto 23, 2025 @ 12:15 am
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Vladimir Pereira

Vladimir Pereira

Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.

Agosto 23, 2025 @ 12:15 am

Os preços futuros do petróleo interromperam a sequência de quedas das duas últimas semanas, com o Brent a ultrapassar a barreira dos $67 pela primeira vez desde 5 de Agosto. Essa recuperação foi impulsionada por sinais de aumento na demanda nos Estados Unidos, além da incerteza quanto aos esforços para encerrar a guerra na Ucrânia. 

Principais Destaques

  • Estoques de petróleo em queda nos EUA reforçam demanda
  • Brent atinge uma nova máxima de duas semanas
  • Petróleo angolano é negociado a prémio de $0,10 face ao Brent Spot
  • Perspectiva de sanções mais severas à Rússia injecta optimismo no mercado

O contrato futuro do ICE Brent para entrega em Setembro subiu $0,53/bbl (0,79%) em relação ao fecho da sessão anterior, sendo negociado, ao longo da semana, a uma média de $66,83/bbl. Já o contrato de petróleo light sweet da NYMEX WTI também para entrega em Setembro registou uma leve queda $0,38/bbl (0,61%), atingindo uma média semanal de $62,88/bbl. 

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A nível nacional, as ramas angolanas acompanharam a tendência de alta do Brent datado, com o crude angolano registando um prémio de $0,10/bbl em relação o Brent Spot, indicando um equilíbrio momentâneo na competitividade das exportações nacionais. 

Factores de Influência sobre os Preços 

Na semana anterior, os preços do petróleo recuaram diante das expectativas do mercado de que um possível cessar-fogo na guerra entre a Rússia e a Ucrânia pudesse levar à flexibilização, ou até ao fim, das sanções sobre o petróleo bruto russo, o que aumentaria a oferta global.  

No entanto, o optimismo voltou ao mercado à medida que a perspectiva de paz na Ucrânia diminuiu, elevando o risco de sanções mais severas e antecipando um aperto na oferta no curto prazo. 

O caminho para a paz na Ucrânia permanece incerto, deixando os traders de petróleo cautelosos após duas semanas de liquidação nos mercados, motivadas pela esperança de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, consiga negociar em breve um fim diplomático para a guerra da Rússia com seu vizinho. 

Outro factor que afectou os preços do petróleo foi o recente anúncio do presidente dos Estados Unidos sobre a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos indianos, com vigência a partir de 27 de Agosto. A medida deveu-se as compras de petróleo russo pela Índia, que actualmente representam cerca de 35% das suas importações totais de petróleo. Apesar da pressão, funcionários da embaixada russa em Nova Délhi afirmaram que Moscovo pretende continuar a fornecer petróleo à Índia, mesmo diante das advertências dos EUA. 

Na visão do mercado, a Índia actua hoje como uma espécie de câmara de compensação global para o petróleo russo, convertendo o crude embargado em exportações de alto valor, ao mesmo tempo em que dá a Rússia os dólares de que precisa para sustentar o esforço de guerra. 

Enquanto isso, os estoques de petróleo bruto dos Estados Unidos caíram 6 MMBBLS na semana passada, totalizando 420,7 MMBBLS, segundo dados divulgados pela Administração de Informação de Energia (EIA), na quarta-feira, 20 de Agosto.  

Embora essa redução acentuada indique um possível aumento na demanda, os volumes crescentes de petróleo no centro de Cushing sugerem que a demanda real pode ser mais fraca do que parece, já que a queda acima do esperado nos estoques foi, em parte, impulsionada pelo aumento nas operações das refinarias. 

Expectativas para as Próximas Semanas 

A leitura geral do mercado sugere que a volatilidade persistirá nas próximas semanas, com os investidores atentos a uma combinação de factores-chave, entre eles, as incertezas em torno das políticas tarifarias dos EUA, as expectativas de cessar-fogo na Ucrânia e os aumentos de produção da OPEP+ e de países fora da organização.   

O preço do petróleo acumula uma queda superior a 10% neste ano, devido a preocupações com as consequências das políticas comerciais dos EUA e as perspectivas de excesso de oferta, já que a OPEP+ traz de volta os barris ao mercado. Qualquer impacto das negociações sobre a guerra na Ucrânia ainda é incerto. 

Apesar dos esforços diplomáticos da administração Trump para pôr fim à guerra na Ucrânia, os ataques de ambos os lados continuam. Na segunda-feira, a Ucrânia lançou um novo ataque ao sistema de oleodutos Druzhba, da Rússia, interrompendo um canal estratégico para o fornecimento de petróleo a partes da Europa Central. Em resposta, a Rússia atingiu uma refinaria de petróleo ucraniana durante a noite. 

Os preços do petróleo estão a reagir, em grande parte, aos resultados das recentes reuniões entre Trump e Putin, e entre Trump e Zelenskiy. Embora nenhum acordo de paz ou cessar-fogo pareça iminente, houve algum progresso diplomático. Por outra, as chances de uma nova escalada ou da intensificação das sanções contra a Rússia por parte dos EUA ou da Europa parecem estar fora da mesa por enquanto.  

Em relação à tarifa adicional de 25% sobre produtos da Índia, embora as refinarias indianas tenham inicialmente recuado diante do anúncio, fontes próximas revelaram que os descontos agressivos oferecidos pela Rússia voltaram a despertar o interesse do país asiático. Esse movimento adiciona incerteza ao mercado, uma vez que o impacto efectivo dependerá da reacção final da Índia e da capacidade da Rússia de redireccionar as suas exportações para outros compradores. 

O cenário abre espaço para dois caminhos distintos. Caso as tarifas realmente afastem a Índia das compras de petróleo russo, e a Rússia não consiga compensar com outros mercados, o resultado poderá ser uma redução da oferta global, factor com potencial de sustentar ou elevar os preços. Por outro lado, se a Índia mantiver as suas importações de petróleo russo, o risco de aperto na oferta será mitigado, trazendo maior estabilidade às cotações do crude.  

Assim, nas próximas semanas, o mercado deverá permanecer sensível às notícias relacionadas às tarifas norte-americanas e à posição da Índia, que poderão funcionar como gatilhos de volatilidade para os preços internacionais do petróleo.  

Esta análise reflecte a dinâmica do mercado até o momento em que o artigo foi escrito. 

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