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Análise Semanal: Preços do Petróleo Mantêm Tendência de Alta pela Segunda Semana Consecutiva
Análise Semanal: Preços do Petróleo Mantêm Tendência de Alta pela Segunda Semana Consecutiva

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
Os preços futuros do petróleo encerraram a semana com uma valorização próxima de 2%, marcando o segundo ganho semanal consecutivo, impulsionado pela entrada em vigor de tarifas adicionais de 25% sobre as exportações indianas para os Estados Unidos e pelos recentes ataques de drones da Ucrânia à infraestrutura energética da Rússia, o que intensificou as preocupações em torno da estabilidade da oferta global.
Principais Destaques
- Petróleo regista segundo ganho semanal consecutivo, com alta de quase 2%
- Ataques de drones ucranianos forçam Rússia a reduzir exportações em 200 KBPD
- Tarifa adicional de 25% dos EUA sobre exportações indianas entrar em vigor
- Estoques de crude nos EUA caem 2,39 MMBBLS, sustentando expectativas de procura forte
- OPEP+ prepara novo aumento de produção em Setembro

O contrato futuro do ICE Brent para entrega em Setembro subiu $0,87/bbl (1,31%) em relação ao fecho da sessão anterior, sendo negociado, ao longo da semana, a uma média de $67,71/bbl. Já o contrato de petróleo light sweet da NYMEX WTI também para entrega em Setembro registou uma alta de $1,36/bbl (2,16%), atingindo uma média semanal de $64,24/bbl.

A nível nacional, as ramas angolanas registaram uma alta de 1% em relação à sessão anterior, embora tenham sido comercializadas nos mercados internacionais com um desconto de $0,09/bbl em comparação ao Brent Spot.

Factores de Influência Sobre os Preços
Após três ataques ao oleoduto Druzhba, que transporta petróleo bruto da Rússia para a Hungria e a Eslováquia, as forças ucranianas intensificaram seus ataques também contra a Rússia, tendo como alvo uma usina nuclear e o terminal de exportação de combustível em Ust-Luga, um importante centro logístico para a Rússia no Mar Báltico, utilizado para exportações de energia por meio de sua frota paralela, embarcações supostamente usadas para contornar sanções petrolíferas impostas a Moscovo.
Em desenvolvimentos recentes, refinarias russas foram atingidas por ataques de drones ucranianos, forçando-as a exportar o petróleo bruto que não conseguem processar. A Rússia revisou o seu plano de exportação de petróleo de portos ocidentais, reduzindo-o em 200 KBPD em Agosto, face ao cronograma inicial, após a série de ataques registados desde a semana passada.
A recuperação dos preços do petróleo observada nesta semana também foi sustentada por um dólar americano mais fraco e por dados de estoques de crude nos Estados Unidos acima das expectativas. O recuo da moeda a partir das máximas atingidas recentemente, reduziu a pressão sobre as commodities cotadas em dólar, enquanto a Administração de Informação de Energia (EIA) reportou uma nova queda nos estoques, sinalizando uma procura resiliente por combustível às vésperas da temporada de viagens do feriado do Dia do Trabalho nos EUA.
Dados recentes da EIA mostraram que os estoques de petróleo bruto caíram 2,39 MMBBLS na semana encerrada em 22 de Agosto, superando a expectativa de uma queda de 2,0 MMBBLS. Embora o volume seja inferior à expressiva redução de 6,01 MMBBLS registada na semana anterior, os números mais actuais continuam a evidenciar sinais de restrição na oferta.
A redução ocorre num momento em que as refinarias se preparam para o pico da temporada de viagens de verão nos Estados Unidos, período em que a procura por combustível tende a aumentar devido ao feriado do Dia do Trabalho, no início de Setembro. A EIA destacou ainda que a demanda de petróleo no país subiu para 9,24 MBPD, acima dos 8,84 MBPD verificados na semana anterior.
Além dos fundamentos dos EUA, os traders também estão a digerir as novas tensões comerciais após a tarifa adicional de 25% de Washington sobre produtos indianos entrar em vigor na quarta-feira, 27 de Agosto, o que efectivamente dobrou a taxa total para 50%.
A medida, que visa punir a Índia por suas importações contínuas de petróleo bruto russo com desconto, lança mais uma camada de incerteza sobre os fluxos comerciais globais. Apesar da expectativa de que Nova Delhi mantenha a sua estratégia energética e continue a comprar de Moscovo, as tarifas elevam o risco de deterioração das relações bilaterais e de maior complexidade na dinâmica da procura global.
O governo indiano estima que as novas tarifas afectarão cerca de $48,2 biliões em exportações. Autoridades do país alertaram que a medida pode tornar os embarques para os EUA comercialmente inviáveis, com potencial para provocar perdas de empregos e desacelerar o crescimento económico.
O governo indiano estima que as tarifas impactarão $48,2 bilhões em exportações. Autoridades alertaram que as novas taxas podem tornar os embarques para os comercialmente inviáveis, provocando perdas de empregos e desaceleração do crescimento económico.
Expectativas para as Próximas Semanas
Os players do mercado continuam cautelosos, apesar da recuperação dos preços, já que as preocupações relacionadas à oferta global e as tensões comerciais continuam a impulsionar a volatilidade de curto prazo.
Um dos elementos positivos para os preços do petróleo vem das expectativas em torno de cortes nas taxas de juro nos Estados Unidos. Após os comentários do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, em Jackson Hole, os operadores passaram a precificar uma probabilidade de 87% de redução de 25 pontos-base em Setembro. A perspectiva de custos de financiamento mais baixos tende a estimular a actividade económica, fortalecendo a procura por petróleo e fornecendo suporte adicional às cotações.
A volatilidade também reflecte a persistência de riscos geopolíticos. O presidente Donald Trump voltou a ameaçar a Rússia com novas sanções, enquanto o conflito na Ucrânia permanece sem avanços diplomáticos. Acredita-se que essa incerteza tem levado investidores à hesitação, com o Brent oscilando entre $65 e $74. Ataques contra instalações energéticas russas reforçam ainda mais os temores com a estabilidade do fornecimento.
No entanto, os potenciais riscos de interrupção da oferta russa são, em parte, compensados pela reversão dos cortes de produção promovidos pela OPEP+. O grupo deverá reunir-se em 7 de Setembro para reavaliar as condições do mercado e discutir novos ajustes. Oito membros da aliança deverão aprovar mais um aumento, dando continuidade ao processo de reversão dos cortes aplicados nos últimos dois anos.
Em Agosto, a OPEP+ já havia anunciado um acréscimo de 547 KBPD a partir de Setembro, parte de um plano gradual que prevê a restauração de 2,2 MBPD até 2026. Actualmente, cerca de 1,66 MBPD de oferta permanecem offline, enquanto a produção de Julho recuou ligeiramente em 20 KBPD, para 28,31 MBPD.
Assim, o mercado de petróleo caminha para um cenário de forças contraditórias nas próximas semanas. De um lado, expectativas de cortes de juros nos EUA e riscos geopolíticos fornecem suporte aos preços. De outro, o aumento contínuo da produção da OPEP+ e a possibilidade de excesso de oferta limitam ganhos mais robustos. O equilíbrio entre esses factores deverá determinar se o Brent permanecerá na faixa actual ou se romperá para novas direcções.
Esta análise reflecte a dinâmica do mercado até o momento em que o artigo foi escrito.