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Análise do Mercado: Preços do Petróleo Fecham a Semana em Baixa com Temores sobre Oferta e Demanda Global
Análise do Mercado: Preços do Petróleo Fecham a Semana em Baixa com Temores sobre Oferta e Demanda Global

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
Os preços futuros do petróleo bruto foram negociados em baixa nesta semana, registando perdas de aproximadamente $1/bbl, em contraste com os ganhos observados na semana anterior. O sentimento do mercado deteriorou-se diante das expectativas de um possível cessar-fogo na Ucrânia e do aumento dos estoques de petróleo nos Estados Unidos, sinalizando uma desaceleração da demanda norte americana.
Principais Destaques
- Mercados financeiros acompanham com cautela encontro entre Putin e Trump
- Estoques de petróleo bruto nos EUA aumentam, sinalizando desaceleração da demanda
- Preços do petróleo registam perda semanal de cerca de 1%
- Aumentos de produção da OPEP+ reacendem temores de excesso de oferta no mercado
- Preço do petróleo abaixo dos $70/bbl continuam a pressionar as contas públicas angolanas

No momento em que este artigo foi publicado, o contrato futuro do ICE Brent para entrega em Setembro caiu $0,96/bbl (1,42%) em relação ao fecho da sessão anterior e foi comercializado nesta semana numa média de $66,31/bbl, enquanto o contrato de petróleo light sweet da NYMEX WTI também para entrega em Setembro recuou $1,45/bbl (2,23%) atingindo uma média semanal de $63,27/bbl.

No contexto nacional, as ramas angolanas seguiram a tendência de baixa do Brent datado, com ajustes específicos devido à variação de procura nos principais mercados asiáticos e europeus. As ramas angolanas foram comercializadas a prémio de $0,57/bbl em relação o Brent Spot, indicando um equilíbrio momentâneo na competitividade das exportações nacionais.
Com o preço do barril de petróleo abaixo dos $70/bbl, valor de referência adoptado no Orçamento Geral do Estado (OGE) de Angola para 2025, a pressão sobre as contas públicas do país tem se intensificado. O cenário actual alimenta incertezas e impõe desafios à economia angolana, forçando o governo a adoptar medidas como a cativação de despesas, a emissão de nova dívida e, possivelmente, a revisão do próprio orçamento.

Factores de Influência sobre os Preços
O aguardado encontro entre os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Donald Trump, dos Estados Unidos, marcado para esta sexta-feira, mantém os mercados globais em estado de atenção. A expectativa de um possível acordo de paz para encerrar a guerra na Ucrânia tem gerado um sentimento de baixa entre os investidores. Qualquer acerto de paz entre Rússia e Ucrânia poderia eliminar o risco de interrupção no fornecimento de petróleo russo, um factor que tem gerado incertezas no mercado.
No entanto, se não houver avanço nas negociações, os Estados Unidos devem anunciar novas sanções contra a Rússia. Entre as medidas em discussão estão sanções secundárias a países que continuam importando petróleo russo, com foco em Índia e China. Esse cenário poderia pressionar os preços internacionais do petróleo, com projecções indicando uma possível disparada na cotação do crude, variando de $80 a $200/bbl, dependendo da severidade das restrições.
Enquanto isso, as tarifas de Trump sobre uma série de parceiros comerciais continuam a pressionar os preços do petróleo devido ao seu efeito negativo esperado na actividade económica geral em grande parte do mundo.
Por outro lado, os estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos aumentaram em 3 MMBBLS durante a semana encerrada em 8 de Agosto, após uma queda de cerca de 3 MMBBLS na semana anterior. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pela Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA).
O aumento nos estoques sugere que o pico da temporada de viagens de verão pode estar a chegar ao fim, reduzindo a demanda por combustíveis. Com isso, os estoques comerciais norte-americanos chegaram a 426,7 MMBBLS, volume que, apesar da alta semanal, ainda está 6% abaixo da média dos últimos cinco anos para o período.
Outro factor que continua a exercer pressão sobre os preços do petróleo é a decisão da OPEP+ de aumentar a produção em 547 KBPD a partir de Setembro, visando recuperar participação de mercado. A medida representa uma reversão completa e antecipada da maior parte dos cortes de produção previamente adoptados pela organização, totalizando cerca de 2,5 MBPD, o equivalente a aproximadamente 2,4% da demanda global.
Essa decisão ocorre em meio as preocupações com o excesso de oferta, especialmente após dados dos Estados Unidos indicarem uma demanda enfraquecida por combustíveis no maior país consumidor do mundo.
Expectativas para as Próximas Semanas
A leitura geral do mercado sugere que a volatilidade persistirá nas próximas semanas, com os investidores atentos a uma combinação de factores-chave, entre eles, as incertezas em torno das políticas tarifarias dos EUA, as expectativas de cessar-fogo na Ucrânia e os aumentos de produção da OPEP+ e de países fora da organização.
A estrutura dos preços do petróleo começou a dar sinais de mudança, à medida que os prémios dos contratos futuros diminuem em relação aos contratos spot, indicando que o mercado antecipa uma oferta mais abundante nos próximos meses assim que a alta temporada de viagens de verão terminar.
As previsões mais recentes reforçam a perspectiva de queda nos preços do petróleo nos próximos meses. A EIA projecta que os preços, actualmente em torno dos $60, deverão recuar para cerca de $58 no último trimestre de 2025 e atingir $50 no início de 2026.
A perspectiva de desvalorização está directamente ligada ao crescimento da oferta da OPEP+, que poderá impulsionar a um acúmulo de estoques globais acima de 2 MBPD até o início do próximo ano. Apesar de uma leve revisão para cima na expectativa de demanda da OPEP para 2026, o cenário geral ainda aponta para um mercado amplamente abastecido, o que tende a manter os preços sob pressão no curto e médio prazo.
PS: Esta análise reflecte a realidade do mercado até o momento em que o artigo foi publicado.