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A Vantagem da Europa Em Energia Eólica Está Por Um Fio
A Vantagem da Europa Em Energia Eólica Está Por Um Fio

Manuel Lemos
Oil and Gas Editor. Manuel covers the global energy sector with a focus on industry trends, policy, and investment developments.
A Europa é, desde há muito, pioneira no domínio da energia eólica, com investigação de ponta, talento em engenharia e fabricantes de turbinas líderes a nível mundial. Mas essa liderança está agora seriamente ameaçada. As vozes da indústria alertam para o facto de que, sem estratégias industriais mais fortes e unificadas, a Europa pode perder a sua vantagem para os concorrentes globais, especialmente os Estados Unidos e a China.
A energia eólica foi largamente desenvolvida e comercializada na Europa. No entanto, os executivos do sector da energia argumentam que a incapacidade do continente para apoiar o crescimento industrial em grande escala está a pôr em risco esse legado. Apontam para uma crescente desconexão entre as ambições climáticas da Europa e a falta de uma política económica coordenada para apoiar as empresas que impulsionam a transição energética.
O desafio é agravado pelas dificuldades económicas mais gerais da Europa, nomeadamente, crescimento lento, inflação, taxas de juro elevadas e perturbações na cadeia de abastecimento. Para além disso, o ambiente regulamentar fragmentado da região dificulta a expansão eficiente das empresas de energias renováveis. Entretanto, os fabricantes chineses estão a expandir-se rapidamente, ganhando contratos mesmo na Europa, enquanto os EUA se tornaram mais atractivos graças ao apoio político a longo prazo e ao investimento crescente no fabrico de energia limpa.
Uma das principais críticas dos líderes do sector é a resistência da Europa à consolidação. Décadas de prioridade à concorrência resultaram num mercado fragmentado em que as empresas europeias lutam para competir a nível mundial. Em contrapartida, outras regiões – tal como os EUA – adoptaram uma política industrial que incentiva a escala e a independência energética.
Apesar dos debates políticos em torno da energia limpa, os EUA têm-se mantido consistentes na construção de capacidade de produção nacional, investindo em energias renováveis e criando um ambiente político que dá às empresas confiança para crescer. Essa consistência está agora a dar frutos, com as empresas americanas a expandirem-se e até a exportarem energia para a Europa.
Algumas empresas europeias já estão a deslocar recursos para o estrangeiro. Um grande fabricante de turbinas eólicas, originalmente radicado na Europa, duplicou a sua força de trabalho nos EUA nos últimos anos e está a operar as suas fábricas americanas a plena capacidade. Os executivos dizem estar confiantes de que os EUA continuarão a apoiar o sector, independentemente das mudanças políticas, porque a energia continua a ser uma prioridade nacional.
A mensagem para os líderes europeus é clara: para continuar a ser uma força global no sector da energia eólica, a Europa tem de repensar a sua estratégia industrial. Sem uma acção corajosa e coordenada, o continente corre o risco de se tornar um seguidor num sector que ajudou a criar.