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Será que as Gigantes Petrolíferas Estão a Recuar nos Planos de Transição Energética?
Será que as Gigantes Petrolíferas Estão a Recuar nos Planos de Transição Energética?

PetroAngola
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Há quase 05 anos, a petrolífera bp embarcou em uma tentativa ambiciosa de se transformar em uma empresa com o negócio focado em energia de baixo carbono, mas agora a supermajor britânica pretender retornar às suas raízes como uma grande empresa de petróleo e gás, ao mesmo tempo que busca aumentar o seu valor de mercado e dissipar as preocupações dos investidores sobre os lucros futuros.
As empresas concorrentes Shell e Equinor também estão a reduzir os planos de transição energética definidos em 2020. A mudança de direcção reflecte dois grandes acontecimentos, especificamente o choque energético causado pela invasão da Ucrânia pela Rússia e uma queda na lucratividade de muitos projectos de energias renováveis, especialmente a eólica offshore, devido ao aumento dos custos, constrangimentos na cadeia de suprimentos e problemas técnicos.
De acordo com o CEO da bp, Murray Auchincloss, a companhia planeia investir biliões em novos desenvolvimentos de petróleo e gás, inclusive na Costa do Golfo dos EUA e no Médio Oriente, como parte de seu esforço para melhorar o desempenho e aumentar os proveitos.
A bp desacelerou as operações de baixo carbono, interrompendo 18 projectos potenciais de hidrogénio em estágio inicial e anunciando planos para vender operações eólicas e solares. A empresa reduziu recentemente a sua equipa alocada nos projectos de hidrogénio em Londres em mais da metade, para um total de 40 funcionários.
A petrolífera Shell também cortou as operações de baixo carbono, incluindo projectos flutuantes de energia eólica offshore e hidrogénio, retirando-se dos mercados de energia europeu e chinês, tendo vendido algumas refinarias, o que resultou no enfraquecimento da meta de redução de carbono para 2030.
A estatal norueguesa Equinor, principal fornecedora de gás natural da Europa desde 2022, lançou uma revisão de seu negócio de baixo carbono, chamado internamente de REN Adjust, que incluiu o descarte de vários projectos em estágio inicial para se concentrar em projectos eólicos offshore mais avançados.
A francesa TotalEnergies, por sua vez, se tornou uma excepção, investindo continuamente em baixo carbono e superando amplamente a capacidade de energia renovável da Shell e da bp.
A desaceleração nos planos de transição energética das empresas coincide com alertas de que o mundo está prestes a perder a meta apoiada pela ONU de limitar o aquecimento global a 1,5 ºC até o final do século, o que é necessário para evitar o impacto catastrófico das mudanças climáticas.
Em Outubro último, a Agência Internacional de Energia estimou que a demanda global por petróleo atinja o pico até o final da década, à medida que as vendas de veículos eléctricos aumentam.
Enquanto os executivos do sector se concentram em aumentar os retornos de curto prazo investindo mais em projectos de petróleo e gás, a perspectiva para o consumo de combustíveis fósseis é cada vez mais incerta.