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Refinarias Asiáticas Recorrem ao Petróleo da Argentina em Meio à Crise no Médio Oriente
Refinarias Asiáticas Recorrem ao Petróleo da Argentina em Meio à Crise no Médio Oriente

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
Refinarias da China, Japão e Coreia do Sul estão a recorrer ao petróleo argentino para compensar as dificuldades de abastecimento provocadas pelo conflito entre os Estados Unidos e o Irão, num movimento que começa a alterar os fluxos tradicionais do comércio internacional de petróleo.
Antes do conflito, grande parte das refinarias asiáticas dependia de contratos de fornecimento provenientes do Médio Oriente. Com o aumento dos riscos geopolíticos na região, os compradores passaram a procurar fontes alternativas capazes de reduzir a exposição a rotas marítimas consideradas vulneráveis, particularmente no Estreito de Ormuz.
Neste contexto, a Argentina surge como uma nova alternativa para o mercado asiático. Algumas refinarias da região já adquiriram carregamentos de petróleo bruto argentino, o que representa uma expansão das exportações do país sul-americano para um dos maiores mercados consumidores de petróleo do mundo.
Entre os tipos de crude procurados está o Medanito, produzido na formação de xisto de Vaca Muerta. Pelo menos um carregamento deste crude, que apresenta características semelhantes às do petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI), foi carregado no início de Agosto deste ano.
A formação de Vaca Muerta tornou-se um dos principais motores do crescimento da produção de petróleo e gás da Argentina. O aumento da produção tem permitido ao país ampliar a sua capacidade de exportação de crude para novos mercados.
Os dados mais recentes sobre as vendas de petróleo da Argentina para a Ásia indicam um aumento nos primeiros seis meses do ano face ao mesmo período de 2025. A evolução está associada à crescente expansão da produção petrolífera do país, que, em Maio, atingiu um recorde histórico de quase 900 KBPD, representando um crescimento de cerca de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Outro factor que favorece o crude argentino é a possibilidade de transporte para a Ásia através do Oceano Pacífico. Esta alternativa permite evitar alguns dos principais pontos de estrangulamento do comércio marítimo internacional, reduzindo a exposição a interrupções associadas a conflitos e tensões geopolíticas.
No mercado internacional, o Medanito está a ser comercializado com um desconto estimado entre $1 e $2/BBL em relação ao WTI, tornando-o uma opção competitiva para refinarias que procuram alternativas economicamente viáveis ao petróleo proveniente do Médio Oriente.
A Argentina não é, contudo, o único produtor sul-americano a beneficiar da reconfiguração dos fluxos comerciais. Brasil e Venezuela também estão a conquistar espaço entre os compradores asiáticos, numa altura em que as refinarias procuram diversificar as suas fontes de abastecimento.