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Retoma das Exportações de Petróleo do Médio Oriente Pressiona a Influência da OPEP no Mercado
Retoma das Exportações de Petróleo do Médio Oriente Pressiona a Influência da OPEP no Mercado

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
Os produtores de petróleo do Médio Oriente retomaram rapidamente as exportações após o recente acordo provisório de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão e a reabertura parcial do Estreito de Ormuz. A corrida para escoar os milhões de barris acumulados em stocks durante o conflito e restaurar a produção está a intensificar a disputa por compradores, aumentando a pressão sobre os preços do crude num mercado já abastecido até o final do 3º trimestre.
A nova dinâmica do mercado surge em um momento particularmente sensível para a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), depois da saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo, no início de Maio deste ano. Embora a organização e os seus aliados tenham acordado um aumento da produção de 188 KBPD a partir de Agosto, persistem dúvidas sobre a capacidade do cartel manter a disciplina de produção e influenciar o equilíbrio do mercado.
Durante o conflito, que se prolongou por quase quatro meses, cerca de 14 MBPD foram retirados da oferta global, levando as cotações do petróleo a ultrapassar os $100/BBL pela primeira vez desde 2022. Com a retoma gradual do tráfego no Estreito de Ormuz, os produtores da região, especificamente os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque e o Kuwait aumentarem expressivamente as vendas para escoar os volumes armazenados e recuperar as receitas perdidas.
Os Emirados Árabes Unidos lideram esta recuperação, com os dados mais recentes a indicarem que as exportações de petróleo do país atingiram um recorde de 3,8 MBPD em Junho, beneficiando da saída de Abu Dhabi da OPEP.
A Arábia Saudita também reforçou as exportações, que alcançaram 4,5 MBPD em Junho e deverão aproximar-se dos 6,4 MBPD em Julho, enquanto o Iraque e o Kuwait retomaram os envios através do Estreito de Ormuz, contribuindo para uma recuperação significativa dos fluxos de petróleo do Médio Oriente.
O aumento da oferta está a intensificar a concorrência entre os exportadores, numa altura em que muitas refinarias da Ásia e da Europa já asseguraram o abastecimento para os próximos meses. Para conquistar compradores, os produtores do golfo reduziram os preços de venda, com a Arábia Saudita a reduzir o preço oficial do Arab Light para o nível mais baixo desde 2020, enquanto alguns carregamentos estão a ser comercializados com descontos face ao Brent.
A pressão sobre os preços é reforçada pelas perspectivas de crescimento moderado da procura mundial. A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a produção global ultrapasse o consumo em cerca de 5 MBPD no próximo ano, o que aumenta o risco de um excesso de oferta persistente. Entretanto, o petróleo Brent recuou para cerca de $70/BBL, muito abaixo dos máximos registados durante a guerra.
Ao que tudo indica, a disputa pela recuperação da quota de mercado poderá representar um desafio maior para a OPEP do que o próprio conflito no Médio Oriente. Caso os produtores do Golfo continuem a privilegiar o aumento dos volumes exportados em detrimento da estabilidade dos preços, a influência da organização sobre o mercado petrolífero global poderá enfraquecer, alterando o equilíbrio competitivo entre os principais países exportadores.