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Preços do Petróleo Voltam a Subir Apesar do Cessar-Fogo entre EUA e Irão
Preços do Petróleo Voltam a Subir Apesar do Cessar-Fogo entre EUA e Irão

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira, pelo segundo dia consecutivo, após ataques do Irão provocarem danos às infraestruturas energéticas da Arábia Saudita, além da restrição da navegação no Estreito de Ormuz e das incertezas sobre o acordo de cessar-fogo de duas semanas entre os EUA e Teerã.
O Brent, referência para dois terços do petróleo mundial, subiu 2,23%, para $98,06/bbl, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência para o petróleo americano, aumentou 0,85%, para $99,85/bbl.
Segundo as autoridades sauditas, os ataques reduziram a capacidade de produção de petróleo do país em cerca de 600 KBPD e diminuíram o fluxo pelo Oleoduto Leste-Oeste em aproximadamente 700 KBPD. O oleoduto tem servido como uma alternativa crucial para as exportações, visto que o tráfego pelo Estreito de Ormuz tem se tornado cada vez mais difícil.
Os recentes desenvolvimentos ocorreram em um momento em que o Estreito de Ormuz permaneceu efectivamente restrito, apesar da trégua alcançada no início desta semana, o que frustrou as esperanças de uma rápida recuperação do fluxo de petróleo em um dos corredores energéticos mais importantes do mundo.
O presidente Donald Trump acusou o Irão, na quinta-feira, de não permitir totalmente a passagem de petróleo pelo estreito e alertou Teerã contra a cobrança de taxas para petroleiros, o que, por sua vez, levantou novas dúvidas sobre a durabilidade do acordo de cessar-fogo de duas semanas.
Antes da guerra, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo, tornando qualquer interrupção no tráfego de navios uma grande preocupação para os mercados de energia.
Os EUA garantiram o acordo de cessar-fogo com o Irão na terça-feira em troca da reabertura do estreito para a navegação comercial, mas o tráfego de petroleiros ainda não retornou aos níveis normais.
O executivo do sector petrolífero dos Emirados Árabes Unidos e CEO da ADNOC, Sultan Al Jaber, afirmou na quinta-feira que a hidrovia permanece em grande parte fechada à navegação regular, evidenciando a discrepância entre o acordo de cessar-fogo e a realidade no terreno.