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Preços do Petróleo Sobem Após Paralisação do Maior Oleoduto da Arábia Saudita
Preços do Petróleo Sobem Após Paralisação do Maior Oleoduto da Arábia Saudita

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
Os preços do petróleo subiram cerca de 3% no início da sessão desta segunda-feira, com o Brent a atingir os $108,31/BBL, em meio aos crescentes temores de uma grande e prolongada interrupção no fornecimento global, alimentados pela recente interrupção dos fluxos de petróleo através do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, na sequência de um ataque com mísseis balísticos e drones.
O contrato futuro do ICE Brent para entrega em Novembro subiu $2,78/BBL (2,66%) em relação ao fecho da sessão anterior, sendo negociado a uma média de $107,39/BBL. Já o contrato de petróleo light sweet da NYMEX WTI, para entrega em Outubro, registou um aumento de $2,48/BBL (2,48%), atingindo uma média de $102,53/BBL.
O aumento ocorre depois de um ataque de mísseis e drone dos Houthis, grupo rebelde do Iémen, contra uma base militar saudita na região de Sharurah, ter atingido o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, uma infraestrutura estratégica para o transporte de petróleo no país. A instalação tem capacidade para movimentar cerca de 7 MBPD, equivalente a uma parcela significativa da oferta mundial.
O oleoduto Leste-Oeste tornou-se a rota vital de petróleo da Arábia Saudita para contornar o Estreito de Ormuz após o início do conflito no Oriente Médio e o bloqueio do tráfego marítimo no referido estreito. Graças ao oleoduto Leste-Oeste, o Reino conseguiu redirecionar a maior parte de seu petróleo bruto dos portos ocidentais no Golfo Pérsico para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
De acordo com fontes secundárias, o porto de Yanbu, localizado na costa do Mar Vermelho, na Arábia Saudita, dispõe de reservas de petróleo suficientes para apenas cinco a sete dias de exportações. Esta situação levanta preocupações quanto à capacidade de manutenção dos fluxos de crude para os mercados internacionais, num contexto em que os Houthis ampliaram o seu controlo sobre o Estreito de Bab el-Mandeb e alcançaram a ilha estrategicamente importante de Perim, o que lhes permitirá monitorar e potencialmente minar a hidrovia do Mar Vermelho.
As refinarias asiáticas, principais importadoras de petróleo da Arábia Saudita, manifestaram preocupação com a recente paralisação do maior oleoduto do reino, solicitando às autoridades sauditas actualizações sobre os cronogramas de carregamento de crude no porto de Yanbu.
Devido à crise na região, as refinarias asiáticas tiveram de adaptar-se a rotas alternativas e a prazos mais longos para receber o petróleo bruto saudita, incluindo o transporte através do Mediterrâneo e em torno do continente africano, pelo Cabo da Boa Esperança.
Enquanto isso, um dos esforços diplomáticos para pôr fim ao conflito no Médio Oriente sofreu um revés, após o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr Albusaidi, anunciar o adiamento, por falta de consenso, de uma reunião entre os países do Golfo e o Irão, inicialmente prevista para esta segunda-feira. O encontro tinha como objectivo discutir um possível acordo entre o Irão e Omã sobre a gestão temporária da navegação no Estreito de Ormuz. A reunião representaria o primeiro encontro entre diplomatas de alto nível do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e os seus homólogos iranianos desde o início da guerra.
Com a diplomacia em crise, a persistência dos ataques e a elevada incerteza quanto ao volume de petróleo que será exportado pela região nas próximas semanas, o mercado petrolífero enfrenta um cenário de crescente instabilidade e pressão sobre a oferta. Caso a Arábia Saudita consiga restabelecer rapidamente os fluxos através do oleoduto Leste-Oeste e a reunião entre os países do Golfo e o Irão seja remarcada, parte das pressões sobre o mercado poderá ser aliviada.