Quarta-feira, Setembro 16, 2026

Grupo Dangote Planeia Construir Refinaria de $17 Biliões no Quénia

Grupo Dangote Planeia Construir Refinaria de $17 Biliões no Quénia

Publicado: Agosto 27, 2026 @ 11:10 am
Partilhar
Vladimir Pereira

Vladimir Pereira

Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.

Agosto 27, 2026 @ 11:10 am

O Grupo Dangote planeia investir cerca de $17 biliões na construção de uma refinaria de petróleo na ilha de Lamu, no Quénia, com capacidade de processamento de até 700 KBPD. O projecto poderá tornar-se num dos maiores investimentos previstos para o sector de refinação em África e reforçar a capacidade regional de transformação de crude.

A futura refinaria deverá abastecer o mercado do Quénia e outros países da África Oriental, nomeadamente Uganda, Sudão do Sul, Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo (RDC). Com uma capacidade projectada de 700 KBPD, o complexo poderá processar cerca de 250 KBPD acima da actual procura de produtos petrolíferos refinados da região, estimada em aproximadamente 450 KBPD.

A dimensão do projecto abre, assim, espaço para a exportação de produtos refinados para outros mercados africanos, posicionando o Quénia como um potencial centro regional de refinação e distribuição de combustíveis.

Ad

O plano de investimento do Grupo Dangote prevê ainda a abertura de até 30% do capital da refinaria a governos do Quénia e de outros países da África Oriental. Segundo David Ndii, presidente do Conselho de Assessores Económicos do Presidente do Quénia, o Estado queniano poderá assumir uma participação de 10%, avaliada em cerca de $500 milhões, enquanto a participação destinada à região poderá atingir aproximadamente $1,5 biliões.

O projecto surge num contexto de elevada dependência da África Oriental em relação às importações de produtos petrolíferos refinados. Apesar de Uganda, Sudão do Sul, Quénia e RDC concentrarem cerca de 4,7 BBBLS em reservas de petróleo bruto e mais de 70 BSCF de gás natural, de acordo com a Comissão Africana de Energia (AFREC), a região continua fortemente dependente do abastecimento externo de combustíveis.

A dependência aumentou após o encerramento, em 2013, da Kenya Petroleum Refineries Limited (KPRL), considerada a última refinaria em operação na região. Desde então, os mercados da África Oriental passaram a depender essencialmente da importação de produtos refinados para satisfazer a procura interna.

O projecto queniano deverá seguir o modelo da refinaria Dangote, na Nigéria, actualmente com capacidade de processamento de cerca de 650 KBPD. O complexo nigeriano foi concebido para responder a uma parcela significativa da procura interna de combustíveis e posicionar a Nigéria como um importante centro de refinação e exportação de produtos petrolíferos.

A estratégia de expansão do Grupo Dangote prevê igualmente o desenvolvimento de uma segunda unidade de processamento de crude na Nigéria, com capacidade adicional projectada de 700 KBPD. A expansão poderá elevar substancialmente a capacidade do complexo e reforçar a presença do grupo nos mercados internacionais de combustíveis.

 

Partilhar
Mais Recentes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *