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Custo de Importação de Combustíveis em Angola Dispara 36% no 1º Semestre de 2026
Custo de Importação de Combustíveis em Angola Dispara 36% no 1º Semestre de 2026

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
Os gastos com a importação de combustíveis em Angola aumentaram cerca de 36% nos primeiros seis meses do ano, à medida que a disponibilidade de petróleo e produtos refinados no mercado internacional continua limitada pelos efeitos do conflito no Médio Oriente, que tem contribuído para a alta dos preços e dos custos logísticos.
Os dados do primeiro semestre de 2026 mostram que o país importou 1,74 milhões de TM de combustíveis, avaliados em $1,79 mil milhões, representando uma ligeira redução de 0,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram importados 1,75 milhões de TM, ao valor de $1,32 mil milhões.
Apesar da leve diminuição registada nas quantidades adquiridas no mercado externo, a factura de importação de combustíveis registou um incremento de 36% no primeiro semestre de 2026. Em termos absolutos, o Governo angolano, através da Sonangol, desembolsou cerca de $470 milhões adicionais para adquirir praticamente o mesmo volume de combustíveis importado no período homólogo.
A pressão sobre o sistema de abastecimento interno foi igualmente agravada pela recente paragem programada da Refinaria de Luanda, responsável por cerca de 29% das necessidades do mercado nacional. A interrupção da produção reduziu temporariamente a oferta doméstica e aumentou a necessidade de recurso às importações.
A situação expõe as vulnerabilidades de Angola perante choques externos, numa altura em que o país continua dependente, em cerca de 70%, da importação de produtos refinados para assegurar o abastecimento do mercado nacional.
Como consequência, as despesas financeiras da petrolífera estatal angolana disparam, em meio ao aumento da subvenção aos combustíveis, ao mesmo tempo em que se tem observado uma escassez de produtos derivados nas regiões Centro e Sul do país, afectando a mobilidade e a actividade económica local, com impactos mais acentuados em algumas zonas.
De acordo com a Sonangol, a avaria técnica constatada em dois navios de cabotagem, utilizados na distribuição marítima de combustíveis através dos terminais oceânicos espalhados pelo país, também condicionou o abastecimento nacional, obrigando a empresa a recorrer à distribuição por via terrestre, num processo mais demorado e logisticamente mais complexo.
A conjuntura global reforçou a importância dos projectos de refinação em curso. A capacidade de produzir localmente uma parcela maior dos combustíveis consumidos no país permitiria reduzir a exposição às oscilações do mercado internacional e diminuir a necessidade de utilização de divisas para a importação de derivados.
A Refinaria de Cabinda, inaugurada no ano passado, opera actualmente abaixo da sua capacidade de processamento de 30 KBPD. A unidade produz nafta e fuel óleo pesado (HFO), destinados à exportação, enquanto o Jet Fuel e o gasóleo são absorvidos pelo mercado de Cabinda.
Por outro lado, as Refinarias do Lobito e do Soyo continuam em fase de avaliação e construção, apesar dos constrangimentos relacionados com o financiamento, apresentando níveis de execução física de 26% e 2%, respectivamente.