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Conflito no Médio Oriente Aumenta Atractividade do Projecto de LNG de $42 Biliões na Tanzânia
Conflito no Médio Oriente Aumenta Atractividade do Projecto de LNG de $42 Biliões na Tanzânia

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
A Equinor e a Shell estão a intensificar as negociações para avançar com o desenvolvimento do projecto de gás natural liquefeito (LNG) na Tanzânia, avaliado em cerca de $42 biliões. O empreendimento ganha nova relevância num contexto de crescentes preocupações com a segurança do abastecimento global de gás e com a necessidade de diversificação das fontes e rotas de fornecimento.
O projecto, considerado potencialmente o maior investimento estrangeiro da história da Tanzânia, poderá transformar o país num importante fornecedor de LNG para os mercados internacionais, aproveitando as suas significativas reservas de gás natural localizadas na Bacia do Rovuma.
A actual conjuntura geopolítica reforçou o interesse nos activos tanzanianos. As perturbações no trânsito de gás e petróleo através do Estreito de Ormuz elevaram a percepção de risco associada à concentração do abastecimento em determinadas regiões, levando as grandes companhias internacionais a reavaliar os seus portfólios e a procurar recursos localizados em zonas com menor exposição a conflitos e pontos críticos de transporte.
Neste cenário, os recursos de gás da Tanzânia assumem maior importância estratégica, sobretudo pela localização dos projectos em águas profundas da Bacia do Rovuma e pelo seu potencial de acesso directo aos mercados internacionais através do transporte marítimo de LNG.
Apesar do aumento do interesse internacional, a decisão final de investimento permanece condicionada à conclusão das negociações entre as empresas e o Governo da Tanzânia. Os principais pontos em discussão estão relacionados com os termos fiscais, contratuais e regulatórios necessários para viabilizar o desenvolvimento do megaprojecto.
O processo de negociação prolonga-se há vários anos e constitui um dos principais obstáculos à concretização do projecto. A necessidade de estabelecer condições económicas competitivas para os investidores, ao mesmo tempo que se assegura uma melhor participação do Estado tanzaniano nas receitas provenientes dos recursos naturais, tem sido determinante para a evolução do empreendimento.
A Shell, através do seu portfólio resultante da aquisição da BG Group em 2016, opera os Blocos 1 e 4, onde, em parceria com a Medco Energi e a Pavilion Energy, foram identificados cerca de 16 TCF de recursos de gás natural. Por sua vez, a Equinor lidera as operações no Bloco 2 desde 2011, tendo realizado nove descobertas que, em conjunto, representam mais de 20 TCF.
Para a Equinor e a Shell, o desenvolvimento do projecto representa uma oportunidade de monetizar recursos de gás de grande escala e reforçar a exposição a um mercado de LNG que deverá continuar a desempenhar um papel relevante na matriz energética internacional até 2040.
A concretização do investimento dependerá agora da capacidade das partes em ultrapassar os principais obstáculos regulatórios e fiscais e estabelecer as condições necessárias para avançar para a fase de desenvolvimento do projecto.