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Análise Semanal: Preços do Petróleo Encerram a Semana em Alta
Análise Semanal: Preços do Petróleo Encerram a Semana em Alta

Vladimir Pereira
Analista do Mercado Petrolífero & Líder de Opinião. Vladimir, faz análises técnicas e estratégicas sobre a dinâmica do mercado de petróleo e gás, com foco nas tendências globais, políticas energéticas e impacto económico.
Os preços futuros do petróleo subiram nesta semana, em meio as preocupações com possíveis interrupções no fornecimento da Rússia, após ataques de drones ucranianos a instalações de energia do país. A valorização também reflecte as expectativas em relação ao impacto do novo corte da taxa de juros do banco central dos Estados Unidos.
Principais Destaques
- Preços do petróleo encerram a semana com um ganho de quase $1/bbl
- Estoques de petróleo bruto nos EUA caem 3,4 MMBBLS
- Ramas angolanas comercializadas a prémio face ao Brent Spot
- Fed reduz taxa de juros dos EUA pela primeira vez desde o ano passado
- Ataques de drones ucranianos à Rússia sustentam os preços do petróleo

O contrato futuro do ICE Brent para entrega em Outubro se manteve $0,70/bbl (1,06%) acima em relação ao fecho da sessão anterior, sendo negociado, ao longo da semana, a uma média de $67,33/bbl. Já o contrato de petróleo light sweet da NYMEX WTI também para entrega em Outubro subiu $0,95/bbl (1,25%), atingindo uma média semanal de $63,52/bbl.

A nível nacional, as ramas angolanas acompanharam a tendência de alta do Brent datado, com o crude angolano registando um prémio de $0,05/bbl em relação o Brent Spot, indicando um equilíbrio momentâneo na competitividade das exportações nacionais.

Factores de Influência sobre os Preços
Na semana passada, as forças ucranianas atacaram com drones, o segundo maior porto báltico da Rússia, causando danos e interrompendo os embarques no terminal de exportação de petróleo de Primorsk, que tem capacidade para movimentar 1 MBPD.
Desta vez, um novo ataque de drone teve como alvo a refinaria Kirishinefteorgsintez, uma das maiores da Rússia, localizada na região de Leningrado e operada pela empresa de petróleo e gás Surgutneftegas.
A refinaria foi obrigada a encerrar uma unidade essencial após um incêndio, que danificou parte dos seus equipamentos. Os reparos estão previstos para durar cerca de um mês, sendo que a unidade atingida tem capacidade para processar até 355 KBPD.
A Transneft, monopólio russo de oleodutos, alertou os produtores de que poderão ter de reduzir a produção em consequência dos ataques ucranianos a portos de exportação e refinarias estratégicas, intensificando as preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento de petróleo russo.
Como amplamente esperado, o Federal Reserve (Fed) retomou o ciclo de corte das taxas de juros pela primeira vez desde Dezembro do ano passado, com uma redução de 25 pontos-base nesta quarta-feira, 17 de Setembro. A instituição também sinalizou que novos cortes poderão ser implementados em resposta aos sinais de fraqueza no mercado de trabalho. Custos de empréstimos mais baixos geralmente aumentam a demanda por petróleo e elevam os preços.
A recente decisão do Fed de reduzir as taxas de juros atraiu a atenção dos mercados não apenas pela flexibilização em si, mas também pelo tom pessimista adoptado por Jerome Powell, presidente da instituição. Segundo ele, o enfraquecimento do mercado de trabalho aliado a uma inflação ainda elevada e persistente indicam que os cortes nas taxas funcionam mais como uma medida de gestão de risco do que como um estímulo directo à demanda.
Além disso, factores estruturais do mercado de energia agravam o cenário. O excesso persistente de oferta e a fraca demanda por combustíveis nos Estados Unidos, maior consumidor mundial de petróleo, continuam a exercer pressão adicional sobre os preços.
Conforme dados da Administração de Informação de Energia (EIA) divulgados na quarta-feira, os estoques de petróleo bruto dos EUA caíram cerca de 3,4 MMBBLS na semana passada, com as importações líquidas atingindo níveis recordes de baixa e as exportações atingindo níveis recordes em quase dois anos.
No entanto, um aumento de 4 MMBBLS nos estoques de destilados, contra as expectativas do mercado de 1 MMBBLS, levantou preocupações sobre a demanda do maior consumidor mundial de petróleo e pressionou os preços.
Até o momento neste ano, estima-se que os estoques de petróleo tenham aumentado em cerca de 5,3 MMBBLS. No início desta semana, o Departamento de Energia (DoE) informou que os estoques da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) cresceram 500 KBBLS, totalizando 405,7 MMBBLS na semana encerrada em 12 de Setembro.
Expectativas para as Próximas Semanas
As perspectivas para os preços do petróleo nas próximas semanas apontam para um cenário de incertezas, com forças que empurram tanto para cima quanto para baixo. Estão a surgir sinais claros de que a oferta global vai aumentar, especialmente com a reversão dos cortes de produção do OPEP+ e o crescimento da produção fora do cartel.
Por outro lado, a demanda parece estar em risco de desaceleração, especialmente nos EUA, onde dados recentes têm mostrado perda de dinamismo económico, o que poderá frear o consumo de combustíveis, numa altura em que se aproxima o fim da temporada de verão.
Apesar do sentimento negativo do mercado, as recentes notícias sobre ataques ucranianos a infraestruturas petrolíferas russas, bem como à potencial imposição de novas sanções ocidentais a Rússia, têm ajudado a manter os preços estáveis.
Nas próximas semanas, é provável que os preços do petróleo experimentem volatilidade moderada, com leves tendência de queda se os sinais de enfraquecimento da demanda se confirmarem. Entretanto, choques geopolíticos ou interrupções inesperadas de oferta poderão causar picos temporários.
Esta análise reflecte a dinâmica do mercado até o momento em que o artigo foi escrito.